29 maio 2008

Cartas ao meu amigo Negão (8) - Abençoada...


“X”,

Acabo de te enviar transcrição do e-mail que enviei porque não queria que tivesses que esperar, até amanhã, para ler minha resposta. Até fiquei com dores nos dedos de tanto teclar num teclado tão pequenino (do tlm). Afinal, ainda recebeste porque está cá tua resposta.

Mais do que simpatia…??? Tenho medo de admitir isso. Será possível??? Afinal nos conhecemos tão pouco. E ao mesmo tempo somos até bastante íntimos. Há coisas que consigo partilhar contigo sem dificuldade nenhuma e que não partilho sequer com a minha irmã (com quem sou muito chegada) ou alguma amiga mais chegada. Amigos de “oi”, “tud dred” tenho muitos, mas amigos verdadeiros, daqueles que não exigem explicações, que nunca nos reprovam e por quem também fazemos tudo (sem questionar se está certo ou não) tenho poucos. Acho que os posso contar numa só mão.

Da forma como a minha vida está, acho que é melhor também não procurar grandes explicações. É melhor viver um dia de cada vez, atacar um problema de cada vez e tentar ser feliz, sem prejudicar ninguém. Acho que não me posso queixar porque apesar dos “probleminhas” considero ser uma pessoa abençoada pela vida. Às vezes, quando fico triste, tento pensar nas pessoas que são realmente infelizes… Penso nos pais com filhos doentes ou, pior ainda, que são obrigados a se despedirem deles definitivamente… Penso nas pessoas que são sozinhas no Mundo… É melhor ficar por aqui ou fico ainda pior do que já estou. A vida não para e tenho tentado agir de acordo com esse pensamento. Vou conseguindo mas, de quando em vez, dá-me aquela tristeza…

É bom ter-te como amigo, é pena não ter teu ombro por perto porque hoje bem precisava dele.

Um beijo.
“Y”

14 maio 2008

Cartas ao meu amigo Negão (7) - Um dia down


(Em resposta a um e-mail recebido logo de manhã)

Querido "X",

O meu dia também está complicado. Tive a manhã toda em reuniões na sala do chefe (sem telemóvel).
Quando voltei para a minha sala vi tua chamada não atendida mas não tinha condições para te ligar.
Desde ontem, estou um bocado “down” e triste. Há momentos em que tenho medo de não conseguir dar conta do recado.
É uma responsabilidade muito grande ter filhos para amar, educar, criar… Tento estar sempre bem disposta e alegre na frente deles mas isso, por vezes, exige um esforço grande da minha parte.
O mais velho faz anos na Sexta-feira e sinto que ele está muito tristinho. Ele é o que se ressente mais disto tudo e, para complicar as coisas ainda mais, é também o que se abre menos.
Ontem, quando já estavam todos a dormir fui abaixo, completamente, chorei, chorei, chorei… Ainda pensei em ligar para conversar um pouco contigo mas desisti. Depois adormeci mas dormi muito mal. E hoje não estou nada bem. Nem sequer me consigo concentrar no meu trabalho.
Estou a pensar seriamente em tirar um dia de “folga” amanhã. Tenho que levar meu carro à oficina porque deve estar com um problema qualquer (apareceu um sinal luminoso no painel e sinto-o esquisito na entrada das mudanças). Acho que depois disso vou tentar descansar um pouco enquanto eles estão na escola. Ando muito “stressada” e sinto que preciso distrair-me, quanto mais não seja indo ao cinema ver um bom filme. Pena estares tão longe e tão ocupado …
Beijos e bom trabalho.

Tua amiga “Y”

13 maio 2008

Um crime hediondo na semana do Dia da Mãe

Na semana passada, enquanto todos falavam do Dia da Mãe, ocorreu na cidade da Praia, um crime horrível – o assassinato de uma bebé recém-nascida. (Mais) um crime que chocou a capital. Chocou-nos a todos, chocou-me a mim.
Eu sou mãe e o sentimento que tenho pelos meus filhos é algo simplesmente singular, único, divino, intocável, inesgotável. Como é possível acontecer um crime dessa natureza??? Embora não esteja na posse de informações para além das veiculadas no noticiário das 20 horas daquele fatídico dia, só há duas hipóteses: o crime foi perpetrado por alguém muito próximo da mãe (com ou sem conhecimento/consentimento desta) ou a própria (custa-me tanto acreditar que isto seja sequer possível!!!). Sublinho que a bebé foi encontrada num saco com o cordão umbilical e a placenta; tinha acabado de nascer quando foi barbaramente assassinada.
No primeiro caso, e partindo do princípio que fora sem o conhecimento/consentimento da mãe questiono-me como pode ser possível alguém – para além da barbaridade cometida com a bebé – causar tanto sofrimento a uma mãe. Perder um filho já deve ser uma dor insuportável, perdê-lo assim… Se ela consentiu ou, na pior das hipóteses, se foi autora ou co-autora do crime o horror é, na medida do possível ainda maior.
Que morte horrível para esse pequenino ser que, após 9 meses de vida num ambiente aconchegante, sofre o trauma do parto e, de seguida, é enforcado com fios de electricidade!!!! Como pode um ser humano cometer tanta violência e maldade com um anjinho??? Que mundo é esse em que um (ou mais) adulto(s) não só tira a vida a um ser indefeso como ainda lhe retira qualquer dignidade atirando o corpinho para dentro de um caixote de lixo??? Só de pensar nisso fico toda arrepiada, apetece-me chorar, apetece-me gritar também, de revolta, de indignação, de dor por este anjinho que nunca poderá dizer: “Feliz dia da Mãe”.
(Imagem tirada da internet)