29 novembro 2007

Cabo Verde subiu quatro lugares no ranking do IDH


“Cabo Verde subiu quatro lugares no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2007/2008, ficando na 102ª posição entre 177 países”.
Essa noticia provoca em mim, e penso que em qualquer cabo-verdiano(a), um sentimento de satisfação (comedida) e, em certa medida, até orgulho. Em matéria do IDH, o índice passou de 0.709 em 2002 para 0.736 em 2007. Cabo Verde ocupa agora o 4º lugar no continente Africano e o 3º nos Países Africanos Sub-saharianos e, de entre os 84 países de Desenvolvimento Humano Médio, o nosso arquipélago ocupa o 31º lugar.
Apesar do progresso registado, muito esta ainda por fazer (ou melhorar) quer na área economica, quer na social. Nessa ultima, destacamos em particular a saúde, a educação (sem duvida a nossa maior riqueza), a segurança social, e a luta contra a pobreza. Vamos assim, todos, arregaçar as mangas e dar o nosso modesto contributo ao desenvolvimento do nosso querido pais.

Cartas ao meu amigo Negão (4) - Cumplicidade


Bom dia “X”,
Como estás? Melhor? Espero bem que sim.
É interessante como nos tornamos tão amigos sem nos conhecermos realmente.
Apenas nos vimos e falamos breves instantes durante aquela inauguração, no entanto, simpatizei contigo e fico contente ao perceber que essa simpatia foi recíproca. Foi tão bonito que até me senti à vontade em desabafar um pouco contigo.
Normalmente, sou bastante reservada e muito discreta em relação à minha vida pessoal. Ainda não percebi muito bem como comecei a abrir-me contigo.
Lembro-me que um dia estava bastante em baixo e enviaste-me uma foto muito bonita com duas rosas amarelas. Respondi a agradecer e disse-te que essas flores tinham alegrado meu dia, desde então… Praticamente todos os dias recebi e-mails teus perguntando como estava etc… E mesmo sem te contar nada, foste percebendo, aos poucos, que havia um problema realmente sério e grave. Por fim, um dia contei o que se estava a passar e a tua atenção foi ainda maior.
É interessante como já conto com os teus e-mails e vejo que também contas com os meus. Criamos uma amizade muito bonita e uma certa cumplicidade. É bom saber que estás do outro lado do PC ou da linha telefónica. É pena não ter um pouco mais de privacidade aqui no trabalho para falarmos um pouco mais. O prédio é muito antigo (e bonito) e as paredes parecem folhas de papel. Ninguém pode ter conversas discretas ou “secretas”.
Vou entrar numa reunião agora mas ela deve ser breve.
Um beijão para ti da tua amiga.

“Y”

28 novembro 2007

Ai ai vizinho


Ele estava deitado de costas apreciando o som que irradiava do rádio-despertador, bem cansado depois de um típico dia de cão no trabalho. Ainda por cima, era Segunda-feira. Olhou para o relógio, passava da meia-noite. Lá fora brilhava a Lua, linda, cheia, prontinha a dar a luz a mil estrelas, mas ele não conseguia ver nada daquilo da cama, apenas apercebia-se dos raios prateados por entre os cortinados.
Lembrou-se, meio irritado, da discussão que tivera com um colega por causa de uma banalidade qualquer. Decidiu deixar esse pensamento de lado e dormir uma noite descansada. Virou-se de lado. Veio-lhe a memoria a boca carnuda da Valquíria… Ela deixara nele marcas mais profundas do que estava disposto admitir. Ah, Valquíria… suspirou. Desligou o rádio e fechou os olhos. Aninhou-se no travesseiro e ficou assim quieto por uns minutos.
De repente, uma espécie de chiar. Outro e mais outro se seguiram. Era acompanhado de um batimento enervante. Não! Outra vez não! Logo agora que ia dormir. Que raiva lhe fazia o vizinho de cima. Rapaz jovem, bem sucedido com as mulheres, solteiro mas nunca só. Meu Deus, pensou. Não aguento isso, é demais! Já não basta estar aqui sozinho, abandonado pela Valquíria. O barulho continuou, a cama a chiar, gemidos mal abafados… Era demais.
Levantou-se, pegou no livro e foi para a sala. Acendeu o candeeiro, instalou-se confortavelmente no sofá. Começou a ler: “(…) No entanto, tinha-se sentado na sua cozinha, a meio da noite, com o cérebro cheio de homicídio; homicídio concreto, não do tipo metafórico. Ate levara uma faca de trinchar para o andar de cima e ficara, durante um minuto terrível, surdo, a olhar para o corpo da mulher adormecida. Depois afastara-se, dormira no quarto de hóspedes, na manha seguinte, fizera as malas e apanhara o primeiro avião para Nova Iorque, sem dar qualquer razão. O que acontecera estava para lá da razão. Precisava de por um oceano, pelo menos um oceano, entre ele e o que quase fizera”.(1)
Fechou os olhos. Como entendia o personagem… Que disparate! Deixou-se estar ali e adormeceu. Horas depois acordou com dores no pescoço. Levantou-se e foi para o quarto. Silêncio total. Agora sim, podia dormir.

(1) in: Fúria – Salman Rushdie

27 novembro 2007

Tão amorosos ........ Hahahahaha!

Cartas ao meu amigo Negao (3) - "Probleminhas"

Oi Meu Negão,
Não te preocupes, está tudo bem. Alguns “probleminhas” mas nada que não possa ser resolvido. Aliás, está a ser resolvido.
Passei por momentos menos bons e não posso dizer que tudo está às mil maravilhas mas sinto-me bem. Tive que tomar algumas decisões importantes e difíceis mas necessárias. Depois de tomadas é seguir em frente… É o que estou a fazer agora com muita energia positiva. E quando bate uma tristeza penso que melhores dias virão.
Beijocas.
Tua Baby
PS: Resposta enviada ao meu amigo Negão em resposta a uma carta dele em que se mostrava preocupado com o meu silencio que ja durava ha uns dias

As noites



Longas noites escuras em branco
Silencio ensurdecedor nas madrugadas sem fim
Prateadas carícias nas noites suaves de Lua cheia
E esta fria e triste solidão

26 novembro 2007

Uma (modesta) salva de palmas



Na semana passada assistimos, na nossa querida capital, a inauguração do “Plateau Digital”. A iniciativa visa transformar a Praça Alexandre Albuquerque - outrora ponto de convívio dos praienses, mas hoje um tanto esquecida, mal preservada e abandonada ao (quase) esquecimento - numa plataforma tecnológica de livre acesso a internet. A parte técnica foi executada pelo Núcleo Operacional de Sistemas de Informação (NOSI) e já é possível aceder a net em plena Praça Alexandre Herculano. No entanto, simultaneamente ao desenvolvimento da parte técnica, deveria ter sido executado um outro projecto (por uma empresa privada) visando a criação de uma área destinada a restauração e lazer, incluindo espaços infantis. Infelizmente, esse não foi realizado, pelo menos, não dentro dos timings previstos. Agora, qualquer cidadão (ou visitante), desde que munido de um portátil ou telemóvel de segunda geração pode, a partir da histórica praça do Plateau, aceder à Internet, consultar correio electrónico, comunicar através do MSN etc… Só há um pequeno problema… Vai faze-lo como? ou melhor onde? Visto a praça não dispor (ainda) de um espaço destinado ao efeito. Vai faze-lo a partir de um dos bancos, sem privacidade nem segurança? É inevitável levantar essa questão numa época em que assistimos a proliferação de “casu bodies” … Enfim! Esperemos que a segunda parte do projecto seja rapidamente concluída (iniciada?) e ai sim, poderemos dar uma verdadeira salva de palmas.

23 novembro 2007

Marcas


Queria ir a tua procura...
Usando aquele batom vermelho que tanto gostas...
Beijar-te, amar-te...
Deixar marcas de batom na tua pele...
Pedaços de mim em tua alma...

Cartas ao meu amigo Negão (2) - Mais ou menos...



Olá “X”,
Bom dia. Tenho pensado na nossa interessante troca de e-mails. Afinal, quase não nos conhecemos e no entanto apareceu essa "amizade (quase) virtual".
Acho que agora consigo perceber um pouco melhor as pessoas que fazem amigos através da Internet. Antes isso parecia-me muito frio, distante e impessoal. Também é verdade que é um pouco diferente porque nós nos conhecemos.
Quanto à tua forma de encarar a vida não poderia estar mais de acordo contigo. Eu também me considero uma pessoa "positiva". Perguntam-me muitas vezes como é que consigo estar sempre tão bem disposta. É simples, basta dar valor a tudo de bom que nos rodeia e, nos momentos menos bons, lembrar que há sempre tantas pessoas que estão muito piores do que nos. Não devemos ser ingratos com o que a vida nos dá de bom e maravilhoso.
Neste momento, estou a atravessar uma fase um pouco complicada e, por vezes, sinto-me um pouco "down".
Quando me perguntam como estou digo sempre "tud dred". Há dias dei uma resposta diferente "mais ou menos" (resposta tipicamente crioula) e a pessoa olhou para mim e disse "o que se passa?". É que esta resposta, vinda de mim, significa na realidade que está muito mais "menos" do que "mais". No entanto, sei que é tudo uma questão de tempo para voltar a recuperar a minha habitual alegria.
Um bom dia para ti.
“Y”

O Diário da Joana (4)


Cá estou, uma vez mais, de caneta na mão. Falei com Joaquim... foi horrível. Acabou. Vou mesmo avançar com o divórcio, se ele não colaborar vou para o litigioso. Estou a escrever na minha sala, no meu trabalho. Já são quase horas de ir para casa, para junto dos meus filhos. Sei que não vou lá encontrar o Joaquim. Perguntei-lhe se ia para casa cedo... Desta vez, vai (supostamente) tomar um copo com um amigo que fez anos. Sempre evita encarar os problemas de frente, prefere fugir. Talvez seja melhor assim. De qualquer forma não consigo falar com ele. Ou fica calado, deixando-me num triste monólogo, ou então, desata aos berros e começa a ofender-me com insultos do mais baixo que se possa imaginar.
Estou péssima. Hoje foi certamente um dos dias mais infelizes da minha vida – exceptuando aquele fatídico Domingo em que, indo contra os meus princípios, mexi nas coisas dele à procura da confirmação de tudo o que já sabia mas não queria ver. Eu precisava encontrar provas concretas para me convencer a mim mesma. Quem ama não vê aquilo que não quer ver. Eu vi, senti, e soube de tudo durante todo o tempo. Soube de todos os “casos” mas o meu amor pelo Joaquim era tão grande que não queria que aquilo fosse verdade. Para me proteger da realidade inventava desculpas ou tentava justificar os actos e comportamentos dele de mil e uma formas, tentando convencer-me que não havia “outras” para não sofrer ainda mais.
Mas eu não podia continuar assim e fui à procura de provas... encontrei-as sem grande dificuldade. Ele sabia que eu não mexia em nada dele e não fez esforço nenhum para esconder fosse o que fosse. Foi só abrir a gaveta da mesinha de cabeceira, outra da secretária, a carteira... Bilhetes, fotografias, cartas, dedicatórias... até uma peça de lingerie autografada encontrei!
Foi duro, muito duro. Dói muito e estou a sofrer como nunca pensei ser possível. Nunca imaginei sequer que um ser humano pudesse sentir-se tão ferido e magoado. Isso tudo aconteceu num Domingo. Na Segunda-feira seguinte fui ao Tribunal informar-me sobre como proceder para dar entrada a um processo de divórcio. Informei-me relativamente às duas situações possíveis: de comum acordo ou litigioso (caso ele não queira colaborar). Também trouxe de lá as minutas necessárias. Tenho plena consciência que vou sofrer demais e durante muito tempo porque, apesar de tudo, amo o Joaquim. No entanto, tendo em conta tudo que se passou e a atitude dele quando o confrontei com os factos, não me resta outra saída sensata. Não sei o que vai acontecer a partir de agora. Amo-o demais mas… há limites para tudo... eu cheguei ao meu!

22 novembro 2007

Falem...


Bem, pessoal (será que há mesmo “pessoal” por aqui?), tenho que decidir… continuar com isto ou não. Este blog é uma experiência, recente, muito recente, mas mesmo assim já tenho duvidas. É que isto só tem graça se consigo de alguma forma cativar a atenção das pessoas, só tem piada se houver interacção. Essa só existe se houver comentários, criticas, sugestões, dicas… A acreditar no “easy counter” o numero de visitas continua escasso… Aguardo, principalmente dos que não gostam do blog, que me digam com franqueza e frontalidade o que esta errado, de mais, de menos ou que simplesmente não esta bem.
Lembrei-me agora de um personagem de uma telenovela que vi há séculos, acho que andava na altura no Liceu (xiiiiii…… foi mesmo há muito tempo – lol). Ele dizia sempre: “Falem de mim, falem … falem mal, mas falem!”. Hahahaha, consigo ser tão tontinha quando quero…!!!

21 novembro 2007

Desastre ecológico


Uma noticia bem triste...
Olhando para eles apetece-me chorar!

"No passado Domingo, encalharam numa praia da ilha da Boa Vista 265 golfinhos, que acabaram por morrer apesar das tentativas das autoridades marítimas e de populares para os devolver ao mar. Segunda-feira, deu à costa mais um cardume, constituído por cerca de 70 exemplares. Ao largo da ilha está outro cardume de golfinhos, constituído por cerca de 400 exemplares que aparentam estar desorientados e que poderão também dar à costa.

Desconhecem-se, para já, as razões que levaram os golfinhos a dirigirem-se para as praias em tão grande número. Apesar de não haver, ainda, uma explicação plausível para o desastre ecológico, não é de descartar a hipótese de os animais, que seguem sempre um líder do cardume, terem perdido a orientação no alto mar, dirigindo-se para a proximidade da costa".

20 novembro 2007

Sinto-me leve...........


Sinto-me leve...
Como uma borboleta,
Sim, isso mesmo,
Sinto-me leve...
Desde que pude partir,
Desde aquele dia em que me ajudaste a levantar a ancora,
Desde o momento em que percebi,
Que não podia mais haver "tu em mim",
A partir do instante que entendi
Que seria, de agora em diante, "eu sem ti"
Parti essa corrente,
E agora sim...
Parti!

Branquinhos


Ontem à tarde, quando minha colega de sala chegou ficou a olhar para mim com cara de quem esperava da minha parte algum comentário ou acção. Apesar de ser normalmente bastante observadora, na altura não reparei, estava demasiado concentrada naquilo com que me ocupava. Passado um bom bocado, ela disse-me: “Então não reparaste que pintei os cabelos?”. Pedi desculpas pela minha distracção (glupp) e comentei que estava muito bem, que nem se notava que tinha sido pintado, com excepção do facto dos “branquinhos” agora estarem da mesma cor da restante cabeleira. Ela pareceu-me satisfeita com meu comentário. Virei de novo minha atenção para o monitor com o intuito de terminar o que estava a fazer. De novo minha colega: “Isto agora é muito complicado, já me disseram que quando se começa a pintar os brancos crescem mais depressa”.
Complicado? Não entendo. Se ela o pintou foi por vontade própria, para disfarçar os “branquinhos”. Se os brancos agora crescem mais depressa (não sei se é mesmo assim, mas vamos supor que sim) também não se vão notar, desde que a operação pintura seja repetida com a frequência necessária. Qual é então o problema? Complicado? Não entendo. Onde está a complicação disso?
Quando passamos de uma certa idade (hahahaha!!!) é mais do que normal esse fenómeno de aparecimento de branquinhos. Também tenho alguns, mas os meus têm outro nome, chamam-se “charme” (lol). Pinto-os, não porque ficaram brancos, mas porque gosto de, por vezes, mudar de visual e cor. Mas não “stresso” com isso.
Fiquei a pensar nessa conversa à noite. Não é a primeira vez que amigas ou conhecidas minhas têm esse tipo de desabafos (ou serão conversas?) comigo. Será assim tão difícil entender que se trata de um processo natural? Ou será que eu sou esquisita por não me preocupar com esse tipo de “problemas”? Se alguém por aqui for mais elucidado nessa matéria... Bem, é melhor ficar por aqui... antes de começar a dizer disparates (lol).

19 novembro 2007

Sua Majestade Orquidea


A minha flor preferida é a orquídea. Não sei porque motivos a elegi mas, ao longo dos anos, passei a admira-la cada vez mais. Não existe no mundo flor mais elegante que a orquídea. É uma flor bela, deslumbrante e de aroma forte e penetrante. É uma flor perfeita. Uma flor simplesmente espectacular.
A orquídea é detentora de uma beleza rara e cativante. Com o seu gracioso e exótico charme é muito sensual e feminina. Seu nome, no entanto, é de origem masculina. A palavra “orquídea” deriva do vocábulo grego “orkhis”, o qual significa testículo, isso porque as primeiras espécies conhecidas possuíam duas pequenas tuberas gémeas parecidas com testículos humanos.
Pergunto aos meus botões se a masculinidade do nome não terá também a ver com a força que ela representa. Embora também seja verdade que as mulheres são mais fortes que os homens. Mas… estou a desviar-me do assunto. É melhor voltar para Sua Majestade Orquídea e deixar essa “guerra dos sexos” para outra ocasião.
A orquidea é uma flor extremamente versátil. Existem mais de 25 mil espécies de orquídeas, sendo cada uma delas ainda mais graciosa e divinal que as outras. É uma das maiores e mais evolutivas famílias do reino vegetal.
A orquídea (sobre)vive nos mais diversos ambientes. É uma verdadeira lutadora e adapta-se ao frio, ao calor, a seca e a humidade. Sobrevive tanto em baixas como em altas altitudes.
As que crescem no solo são as chamadas orquídeas terrestres. Nas regiões tropicais e sub-tropicais, no entanto, predominam as espécies das florestas. Nesse habitat, a humidade atmosférica é elevadíssima. Os dias são quentes e as noites bem mais frescas. Na floresta, a maioria das orquídeas ocorre sobre as árvores e outros vegetais, vivendo de forma harmoniosa com outras famílias de plantas. São as chamadas orquídeas epífitas. Importa sublinhar que nenhuma orquídea é parasita; ela é demasiado digna para o ser! Apenas usam as árvores e outros vegetais agarrando-se a eles, agarrando-se a vida, sem deles nada tirar.
A orquídea, para além de formosa e cheirosa, é um verdadeiro exemplo de luta pela vida. Perseverante, consegue tirar tudo de quase nada. Em condições extremamente inóspitas, suportando o Sol escaldante durante o dia e aguentando a brusca baixa de temperatura durante a noite, a orquídea sobrevive até no deserto, lutando com todas as suas forças para sobreviver. E mesmo enquanto batalha contra as adversidades que a Natureza lhe impõe, encara-nos… bela, deslumbrante, altiva, orgulhosa e triunfante. Lança sobre nos o seu encanto, extasia-nos com seu perfume inebriante…
Por isso, … por tudo isso, ela só pode ser a Rainha de todas as flores, mãe de todas as cores e, necessariamente, madrinha de muitos amores.

17 novembro 2007

Cartas ao meu amigo Negão (1) - Um segredo...


Olá "X" (1) ,

Acabamos de falar ao telefone, como sempre, fez-me muito bem falar contigo. Infelizmente, aqui no trabalho temos um problema de privacidade. O edifício é antigo e muito bonito mas as paredes não dão privacidade nenhuma. Quando estou na minha sala ao telefone, ou mesmo quando recebo alguem no meu gabinete, o meu Chefe e a assistente dele (a minha sala fica entre as salas deles) ouvem tudo.
Sei que és muito amigo do "Z" (2) e que só não foste àquele jantar de solidariedade porque tinhas outros compromissos.
Perguntaste como estamos a atravessar esta fase. É uma fase muito complicada, aliás já o era mesmo antes dessa ida dele para outro país por razões profissionais. Algo me diz que posso confiar na tua discrição ... Infelizmente, estamos a separar-nos, depois de quase 20 anos de vida em comum. Quase ninguém sabe. No jantar, todos acharam uma pena sermos separados por razões profissionais, sem desconfiar que essas apenas vieram coincidir com uma decisão que já tinhamos tomado pessoalmente. É muito duro para nós e também para os meninos. Agora percebes porquê que tenho tido alguns momentos mais down. Tento reagir da forma mais positiva possivel porque a vida continua, mas ...
Um beijo e bom trabalho.

"Y" (3)

PS: não comentes com o "Z" porque para ele também está a ser difícil.

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(1) Nessa "carta" tratei-o pelo nome próprio, só mais tarde quando ficamos muito mais chegados passei a chamá-lo de "meu Negão"

(2) Meu ex (na altura ainda marido)

(3) Assinei com meu nome, só quando ele se tornou "meu Negão" passei a ser a "Baby" dele, conforme disse no post "Cartas ao meu amigo Negão - Introdução"

16 novembro 2007

Olá bloguistas!


“Olá bloguistas cabo-verdianos (e não só)” Esta saudação vem de alguém que chega humildemente a blogosfera crioula, após uma não muito longa reflexão se o deveria fazer ou não. Optei pela afirmativa e, a título experimental, lancei há poucos dias blackcherry68.blogspot.com. Trata-se de um desafio que lancei a mim mesma. Sei que é um blog com características e temas diferentes dos blogues crioulos que tenho visitado nos últimos tempos e, de entre os quais alguns não param de me surpreender sempre positivamente. O blackcherry68 é um cantinho onde pretendo partilhar um pouco de mim. Um cantinho onde posso deixar fluir os meus pensamentos, mesmo que estes sejam disparatados (lol). Um cantinho onde posso deixar tristezas e alegrias, … sobretudo alegrias. Um cantinho onde posso divagar e onde posso falar sobre as pequenas grandes maravilhas do dia-a-dia: o beijo de uma criança, um lindo pôr-do-sol, o perfume de uma flor, a doçura de uma lembrança, a magia de um olhar apaixonado...
É também um cantinho aberto a criticas e sugestões. Pensei para comigo “porque não ouvir, em primeiro lugar, aqueles que já navegam nessas águas há mais tempo?”. É isso mesmo, o meu apelo dirige-se especialmente aos bloguistas a quem solicito uma espreitadela critica e frontal. Desde já o meu “obrigada” pela vossa opinião.

Foi ha um ano


Foi há um ano, há precisamente um ano... Lembrava-se de cada detalhe como se tivesse sido há uma semana atrás. Levantou-se cedo e arranjou-se com muito cuidado, sempre o fazia, mas naquele dia caprichou. Ia encontrar-se com ele, queria estar linda, sentir-se bem, sentir-se segura, sempre ajudava a disfarçar um pouco o nervosismo. Ao lembrar-se dos preparativos sorriu. Estava eufórica, parecia uma teenager a caminho do first date com o primeiro namorado... novo sorriso. Estava na casa dos trinta, mais precisamente na segunda metade. Era uma mãe extremosa e feliz, uma mulher profissionalmente realizada, bem sucedida, sobrevivente de uma relação destroçada ao fim de quase duas décadas de vida em comum. Estava bem consigo mesmo, serena, tinha conseguido reaver a calma e paz de espírito que tanto estimava.Conhecera-o há relativamente pouco tempo mas simpatizou com ele à primeira. Foi mútuo, trocaram contactos, conversaram várias vezes, conversaram muito e, de cada vez que o faziam, perdiam completamente noção do tempo. Agora, um almoço a dois…Estava pronta, olhou-se ao espelho, tailleur preto, blusa branca com finas risquinhas em cinza, colar, anel, brincos, tudo cuidadosamente escolhido – prateado com pedras cinzentas. Sapatos pretos, ornamentados com uma flor de pétalas ornadas em branco e fitinhas de atar a volta dos tornozelos, saltos agulha, bem altos (como quase sempre). Cabelo solto pelos ombros, bastante encaracolado, castanho com reflexos acobreados, avermelhados. Maquilhagem suave com destaque para as pestanas alongadas com rímel preto. Olhou de novo seu reflexo, teve duvidas, estava tão formal... Mas afinal era dia de trabalho e não podia ir de outra forma. Lembrou-se que ele estava na mesma situação e deu um suspiro de alívio. Faltava um detalhe, batom. Voltou a casa de banho, tirou dois, um no tom dos lábios, natural, discreto, outro vermelho vivo... optou estrategicamente pelo segundo. Ninguém duvida da segurança de uma mulher que usa batom vermelho... sorriu quando essa ideia lhe passava pelo pensamento.Tinham combinado que ele a iria buscar ao trabalho por volta das 13h00. Avisou-a quando saiu do emprego para ir ao encontro dela, levaria uns 15 a 20 minutos. Já pertinho, entrou numa rua de sentido único, não poderia voltar atrás. Ligou a avisar que se atrasaria um pouco devido ao desvio que teria que fazer. – “Não! Encosta ai na esquina, é pertinho, eu vou lá ter”. Pegou na carteira e saiu. Estava um dia agradável, embora um pouco cinzento, típico fim de Verão ou princípio de Outono. Desceu a rua e virou a direita, começou a chuviscar. De novo o telemóvel – ”Não venhas, está a chover, eu dou a volta e vou-te buscar”. – “Não é preciso, já saí e estou a chegar”. Continuou a caminhar em direcção a esquina. Ele apareceu, de repente, de guarda-chuva na mão. Não podia acreditar, eram apenas alguns passos, que gentil, quanta delicadeza... Aquele gesto a tocou. Abriu-lhe a porta do carro. No carro cumprimentaram-se melhor, embora timidamente. Ele vinha muito elegante, fato cinza, camisa branca, gravata num tom mais escuro que o fato. Tinha um ar distinto, altivo até, mas ao mesmo tempo muito simpático. Era alto e gorduchinho, fazia lembrar um ursinho de peluche muito fofo, daqueles que dá vontade de apertar, de beliscar... Transmitia tranquilidade e boa disposição. Tinha um olhar bonito, penetrante, parecia que só olhando conseguiria ler seus pensamentos. A voz era muito sexy, grossa, falava pronunciando pausadamente cada palavra. A voz dele, aí aquela voz… arrepiou-se só de lembrar, lembrou-se de momentos mais íntimos, sussurros… Também ele estava nervoso, atrapalhou-se na condução, enganou-se no caminho. Quando chegaram ao restaurante ela não pode deixar de rir, riram-se os dois, tinham dado uma volta enorme para um percurso que poderia ter sido feito em menos que metade do tempo. O restaurante era simpático, típico, regional. Decoração rústica, de muito bom gosto. Era cliente assíduo da casa, amigo do dono. Depressa se apercebeu que era um verdadeiro apreciador de comes e bebes, um gourmet. Ele ouviu o Chefe, sugeriu, escolheu. Comportou-se como um verdadeiro anfitrião. O vinho foi escolhido após cuidadosa selecção na carta, era doce, uma delícia... Ao longo do almoço, conversaram sobre mil e uma coisas, sobre suas vidas, seus filhos, suas respectivas separações, sua forma de encarar a vida, seus projectos e anseios para o futuro. Ocasionalmente, a conversa era interrompida por silêncios cortantes e desconfortáveis. Nessas ocasiões, olhavam um para o outro a ver quem retomaria a conversa e ela sentia-se corar. Constrangedor! Não dá para disfarçar (nem mesmo usando batom vermelho). Ele gracejou e ela ficou ainda mais vermelha.Pegou-lhe na mão direita sob pretexto de melhor ver o anel, tinha uma enorme pedra cinzenta incrustada debaixo de um encruzilhado prateado que parecia uma cobra. Observou também a palma da sua mão. Elogiou suas mãos. Eram bonitas, muito finas, dedos compridos, unhas bem cuidadas, vermelhas, no mesmo tom que o batom. Ele tinha as mãos quentes, um pouco transpiradas, mãos pequenas, dedos curtos, gordinhos. Dedos delicados e suaves que arrancavam lindas melodias da guitarra estimada, dedos carinhosos, mágicos... Sentiu-se protegida enquanto ele segurava assim a sua mão, delicadamente, sentiu algo que na altura não soube interpretar (hoje sabe que sentiu que se podia entregar nas mãos dele que ele a saberia cuidar, com carinho, com amor…).A sobremesa foi escolhida a dois, junto do expositor, enquanto o chefe explicava como era confeccionada cada um daqueles pecados. Foi divinal. Depois, café, só um, ele não gosta. Antes de sair, uma surpresa, um presente, uma pequena caixa em madeira com uma paisagem em relevo, parecia um guarda-jóias trabalhado cuidadosamente, lá dentro três frasquinhos – flor de sal, mel de abelhas e amêndoas em mel. Adorou, ficou comovida, sem palavras, sem jeito... Não tinham visto o tempo passar, quando a deixou a porta do trabalho já era quase final do expediente. Ela flutuava, parecia que tinha sonhado, estava sonhando, estava verdadeiramente nas nuvens. Abriu o PC e ligou o Messenger que costuma estar quase sempre em stand-by no rodapé do monitor. Passado pouco tempo, ele (entretanto chegado ao trabalho) fez o mesmo, falaram-se, disseram o quanto tinham gostado do almoço e da companhia um do outro. Mudaram suas frases no Messenger: - “Uma num milhão” e - “A gentleman! Really!”

Foi há um ano, há precisamente um ano, e nesse dia ela soube que tinha encontrado sua alma gémea e que esse seria apenas o início de um lindo conto de amor.

O diário da Joana (3)


Mais uma conversa inútil... Tentei conversar com ele, sem resultado. Disse-me que o que eu queria era livrar-me dele (?!!) Desculpas, pretextos, para fugir. Ele sabe que o adoro e que o amo loucamente. Mas isso não é suficiente para continuarmos juntos. Estou muito magoada, com raiva e até ódio pelas coisas que ele me fez, mas mesmo assim, continuo a amá-lo como há 11 anos, talvez até mais. Afinal os anos todos que passamos juntos e os nossos maravilhosos filhos só reforçaram o meu sentimento por ele. Ele disse-me que a Jacinta foi “carnal”. Isso dói muito porque significa que o nosso amor não bastou e que o sexo não era o que ele queria. Não entendo! Ele sempre me pareceu feliz com a nossa relação. Sempre me disse que eu era tão... enfim, não interessa, já não interessa... Sera que ele fingia gostar? Sempre ouvi dizer que isso nos homens é complicado. Por outro lado, não me sai da cabeça que geralmente se procura fora o que falta em casa. Ele foi tão grosseiro nessa ultima discussão. Disse-me que ela era “boa na cama”. Será que me disse isso só para me magoar?
Depois, volta e meia vem com conversas de que tudo acabou entre eles. Posso até acreditar nisso, mas custa-me demais lembrar que algo se passou entre eles. Ele não me podia ter ferido mais. Feriu-me muito. Expôs-me a tanta humilhação e vergonha à frente de todos. Traiu-me com uma pessoa tão baixa (todos sabem que não passa de uma “pechinguinha”) e nem sequer tentou ser discreto para preservar a nossa família, os nossos filhos.
Quanto à Lúcia, não sei que pensar. Essa até liga para a nossa casa. Se sou eu a atender, desliga. A que ponto chegamos!!! Há dias estavam uns amigos em nossa casa. Ela ligou e eu atendi. Como sempre, desligou o telefone. Ele gozou com a minha cara, à frente de todos, dizendo que o nosso telefone é muito inteligente porque quando atende a pessoa errada a linha cai. Deu largas gargalhadas e desejei que o chão me engolisse. Não sei como suporto tudo isso. Logo eu que sempre soube o que queria. Não entendo. Mentira, entendo sim. Apesar de tudo sei o que estou a fazer. Faço-o pelos meus filhos. Amo-os demasiado para os separar do pai. Ensino-os a amá-lo, respeitá-lo, quero poupá-los, não precisam saber que tipo de pai têm.
Já falei muito, gritei, briguei, chorei. Ontem a noite fui dormir no outro quarto. Dormir não, passei a noite em claro, pensei muito, chorei ainda mais, decidi que a única solução é a separação. As traições dele não param, não vão parar nunca! Os meninos vão crescer e vão aperceber-se disso, não vai ser bom para eles. Não é bom para mim. Sim,... A única solução é separar-me. Separar-me por Amor. Meu por ele, porque não suporto mais essas facadas constantes. Também por amor aos meus filhos, principalmente por eles, porque merecem ter uma mãe feliz, uma mãe que sabe o que quer e que não tolera esse tipo de situações. Sim, é o melhor que faço, separar-me dele enquanto é tempo.

15 novembro 2007

O Diário da Joana (2)


Acabo de falar com ele. Mais uma conversa sem resultado, ele saiu... O meu filho mais velho foi brincar com um vizinho, a bebé dorme. Fiquei um bom tempo aqui na sala pensando. Pensando em nós e no que seremos amanhã um em relação ao outro. Tenho passados maus momentos nos últimos dois anos mas acho que serei capaz de ultrapassar esse enorme desgosto e refazer a minha vida. Há dias, até ele reconheceu que independentemente do que vier a acontecer, nunca mais seremos os mesmos de há onze anos... só posso concordar.
Ele traiu a minha confiança, desconfiou de mim sem motivo que o justificasse, para além das más-línguas daqueles que nos invejavam por sermos tão felizes um com o outro e termos um futuro tão bonito à nossa frente. Ai, as “bocas”. Um Zé-ninguém qualquer lança um boato: “acho que...”, um segundo já afirma e logo aparece mais um capaz até de jurar que viu e presenciou. Suporto as “bocas” do mundo, pois sei que surgem por cobiça e inveja, por ciúmes da felicidade que tínhamos juntos. No entanto, não consigo suportar a ideia de ele acreditar nos outros. Ele é a última pessoa no mundo que me pode acusar ou sequer desconfiar de mim. Nunca lhe dei motivos para tal. Magoa imenso a ideia de ele acreditar nos outros, magoa imenso a ideia de ele acreditar que seria capaz de o trair. Por outro lado, até entendo, ele traiu-me, deve pensar que sou igual. Será isso?
Ele traiu-me, várias vezes, muitas vezes. Encontrei provas da traição dele. Guardei-as como um trunfo que apenas utilizarei em última instância, como último recurso, se as coisas correrem mesmo muito mal. Afinal de contas, não tenho interesse nenhum em denegrir a imagem dele. A divulgação “daquilo” não me faria nenhum bem. Já basta todos saberem que ele me deixava em casa grávida e saia com aquela ordinária para se divertir à grande e à francesa. Nem sequer tentava ser discreto. Parava o carro à frente da casa dela durante o fim-de-semana, até nos dias de semana, até altas horas de madrugada. E enquanto os dois saíam, iam a restaurantes, discotecas e bares, eu cuidava sozinha da nossa casa e do nosso filho e tentava não perder o bebé que crescia dentro de mim. Era uma situação insuportável, intolerável. Ele não teve um pingo de respeito por mim, continua a não o ter. Tudo isso foi destruindo a nossa relação. O que nós tínhamos era raro e bonito. Não tenho receio em dizer que poucas pessoas conseguiram ser tão felizes como nós o fomos. E é disso que me quero recordar amanhã.
Ele está furioso comigo. Furioso porque mexi nas coisas dele, furioso porque encontrei o que procurava. Eu não queria invadir assim o espaço dele, apenas precisei tirar algumas dúvidas. Esta era a única forma de o fazer. Eu precisava ver com os meus olhos provas concretas para poder acreditar naquilo que já sabia há muito tempo. Precisava disso para mostrar a mim mesma que tínhamos chegado a um ponto sem retorno.